terça-feira, 21 de abril de 2009

Negro com loira - parte II


Cláudio estava possesso! Aquela loira ia ver só uma coisa!
_ Gata! Quem me "comeu" com os olhos foi você, desde que eu cheguei a esse bar! Pensa que eu também não notei seus olhos lascivos para cima de mim? Apenas quero ser gentil com você! E sim, você também me chamou a atenção, é bonita, "gostosa" e muito simpática! Mas daí a se fazer de difícil prá mim? "Qualé"? Você não é tão "boa" assim prá que todos os homens que ficam com você se sintam apaixonados não! Não acredito nisso! Desculpe mas você está blefando!
Soledad escutara o desabafo do negro... Ou melhor, bebera cada palavra... E quanto mais ele falava, mais ela se sentia excitada... Que homem era aquele, que mexia assim com ela? Nunca tivera um homem assim como ele! O que não daria para passar a noite com ele! Mas não podia demonstrar isso prá ele! Não agora que dera uma de durona! Ele não podia saber que ela, Soledad, estava de quatro por ele! Literalmente...
_ Negro gato! Por favor, não se ofenda! Não quis te ofender de maneira alguma! Apenas falei aquilo que estou cansada de ouvir ao final da noite e pela manhã: "Você é sensacional! Me dá seu telefone? Onde você mora? Quero ficar prá sempre com você! Estou apaixonado!" Sabe, cansei de ouvir essas cantadas baratas! Quero apenas curtir a vida, compromissos não me interessam! Sou livre e quero continuar assim! Quer me conhecer? Será um prazer! Não quer? Será dois!
_Muito prazer, eu me chamo Cláudio! E você?
_ O prazer é todo meu. Meu nome é Soledad! Quer se sentar aqui para a gente conversar e se conhecer melhor?
_ Não seria o cavalheiro quem deveria fazer este convite a dama? Será que você não está sendo "moderna" demais?
_ Negro gato, eu sou "moderna", como você mesmo diz. Gosto de tomar a iniciativa sempre. E respondendo a sua pergunta com outra pergunta: porque são sempre os homens é que devem tomar a iniciativa com as mulheres e não ao contrário?
_ Soledad, eu sou meio das "antigas". Gosto de chamar as mulheres para saírem comigo, gosto de chamá-las para se sentar ao meu lado. Sou como vocês mesmo chamariam de sistemático!
_ Pois comigo isso "não cola". Sou moderna mesmo, gosto de estar sempre a frente do meu tempo! Gosto de tomar a iniciativa frente a um homem. Nunca fui e nunca serei submissa ao homem! Não sou daquelas que o que um homem fala, a mulher abaixa a cabeça!
_ Nossa! Já vi a gente não combina muito! Mulheres muito modernas, são muito "avançadinhas". E já vi que você é uma delas, por isso os olhares lascivos para cima de mim, quando cheguei aqui no bar... Imagine o que deve ter pensado em fazer comigo quando me olhou...
_ Foi você quem se aproximou querendo me conhecer... Depois vem com esse "lero" todo! Eu não "corri" atrás de você! Olhei mesmo para você quando o vi na porta, mas fui correspondida por você, que me olhou do mesmo modo! Lascivo! Ou muito me engano, ou deseja a mesma coisa que eu: uma aventura apenas! Tenho quase que absoluta certeza, que veio até aqui, apenas para isso! Deve ter uma mulher ou uma namorada te esperando em casa!
_ Que mulher de língua afiada! Sabe? Acho que tenho que me ratificar com você, quando disse que não combinamos muito! Gosto de mulheres que sabem o que querem, uma mulher decidida! Você é assim também na cama? Eu gostaria de ficar contigo essa noite!
_ Ah! resolveu admitir que está mesmo a fim de mim! Que bom! Mas olha, quem está apressado agora é você! Primeiro quero conhecê-lo melhor!
_ Prá que? Não vai ser apenas mais uma aventura para você? Prá que me conhecer melhor? Vamos logo pro motel! Você é muito "gostosa"!
_ Epa! Não seja vulgar! Não sou uma piranha qualquer que você tenha conhecido aqui não! Eu sou cliente aqui há muitos anos, apenas não apareço muito no bar. Quando venho, sempre estou acompanhada de amigos e amigas. Hoje porém, estava me sentindo muito sozinha e decidi vir aqui. O Serginho, barman, me conhece de longas datas! Pergunte a ele, sobre a minha pessoa! Talvez depois que ele fale para você quem sou, possa me pedir desculpas pelo que acabou de falar para mim!
E dizendo isso, Soledad se levantou para ir ao banheiro. Passou antes pelo balcão e chamou o barman:
_ Serginho, aquele senhor ali acaba de me ofender... Diga a ele para se retirar da minha mesa, pois quando voltar, não quero mais vê-lo ali!
_ Mas o papo parecia tão animado! Pensei que você ia ter mais uma aventura essa noite! O que deu em você? E porque está sozinha hoje? Eu notei uma certa tristeza em ti hoje. O que está acontecendo? Posso ajudar em alguma coisa?
_ Ah, Serginho! Estava me sentindo muito solitária em casa e resolvi sair prá espairecer um pouco! Aí me deu a ideia de vir até aqui... uma bebida... alguém interessante... quem sabe? Mas aquele sujeitinho ali, me tirou do sério! Me confundindo com uma piranha qualquer... dessas muitas que frequentam aqui... Por favor, peça a ele que se retire da minha mesa e leve outra taça de vinho branco para mim! E uma porção de frios com bastante presunto, palmito, salaminho e queijo provolone por favor, do jeito que você sabe que eu gosto! Regue com bastante azeite! Obrigado!
_ Vou fazer o que me pediu Soledad! Vou pedir ao Ivan que fale com o sujeito. Mas se ele insistir em ficar o que eu faço? Não posso mandar o homem embora do bar, ele nem me pagou a tequila!
_ Se for isso, debite a tequila na minha conta! Mas por favor, retire o sujeito da minha mesa! Vou ao banheiro, retocar o meu batom!
Soledad estava com muita raiva! Apostara todas as suas fichas naquele belo espécime e perdera vergonhosamente! Ele a confundira com uma reles prostituta! Que raiva!!!
Cláudio, assim que Soledad se levantara, tentara em vão argumentar, pedir desculpas, já que ele vira que fora longe demais... Mas ela não lhe dera a mínima atenção! Será que ela ia voltar? Iria querer falar com ele novamente? Ele levantou-se da mesa e se dirigiu ao balcão, disposto a perguntar mesmo ao barman, quem seria aquela misteriosa mulher! Ele nunca a vira por ali. E era um freguês habitual dali.
Serginho já ia avisar Ivan para ir falar com o sujeito da mesa da patroa, quando o viu se aproximar do balcão.
"Que bom! Poupou o Ivan de um constrangimento maior". mas ia avisá-lo de que ela, Soledad, não o queria mais na mesa.


3 comentários:

Eduardo P.L disse...

Essas modernidades femininas, às vezes bate de frente com machismos tradicionais! É melhor a mulher pensar avançado, e gir como se fosse a tonta de antigamente!
Parabéns pelo texto!

Fatima Cristina (www.fccdp.com) disse...

Oi Mylla,
Você me pediu para comentar este seu conto...
tenho que lhe dizer que não me sinto capacitada profissionalmente para tal tarefa. Os meus comentários aqui são de uma mera leitora...ok?

Acho que você tem muito jeito para escrever contos. No entanto, acho que pode trabalhar mais no suspense, tentar se repetir menos, e colocar as informacoes mais em conta-gotas, para que o leitor se sinta cada vez mais desafiado ao ler.
O tema da paquera é popular, mas acho que está um pouco apelativo. Sinceramente, eu acho que a loira não chamaria o seu paquera do bar de "negro" à primeira vista... (Acho que sou muito "politicamente correta" e o título já de cara me incomodou um pouco...)

Mylla, como leitora, fiquei curiosa em saber mais sobre como a paquera vai se desenrolar. Aguardo o capítulo 3!
Continue escrevendo!

Abs, Fatima

Sueli disse...

Muito interesssante, mas eu também queria saber um pouco mais. Estou torcendo para que a história continue. Ou então, melhor ainda, escreva uma do negro com a "morena". Vou amar (mas veja se no fim você dá um jeitinho deles ficarem juntos, né?...rs). Um abraço,

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