quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

DISCRIMINAÇÃO...

Sabem aqueles dias em que você quer apenas desligar de tudo e de todos, depois de uma tarefa exaustiva?
Pois bem, eu estava assim hoje, quando saí de casa e fui ao Salão para relaxar. Assim pensava eu...
(Para a maioria das mulheres, o melhor lugar para relaxar é um salão: fofocas, novidades, boas risadas...)
Depois de pintar o cabelo, lavá-los e hidratá-los, fui fazer a unha e o marido foi depilar a barba (chique né?)
Entre uma conversa e outra, as duas manicures atacando minhas cutículas, minhas unhas encravadas... Eis que o marido de uma delas vem olhar um probleminha na cadeira da cabeleireira... Então surgiu aquele tipo de "assunto" que não agrada a ninguém, mas que por delicadeza declinamos em não participar...
Sentada ali, sofrendo horrores nas unhas encravadas, o "dito cujo" sai com essa pérola:
_ E eu sou da roça? Ando todo mulambado porque sou pintor, mas capinar não é serviço pra homem, é serviço pra quem  não tem profissão!
Nossa! Na hora me subiu uma raiva danada! Me deu uma vontade de voar no pescoço dele... Então "ser da roça" ou melhor dizendo um trabalhador rural não é profissão?
Respondi na lata e para que ele escutasse:
_ Sem lavradores, o Brasil não come!
A mulher dele para colocar panos quentes na conversa:
_ Ele não falou por mal, estava só brincando...
Brincando? Isso não é brincadeira que se faça com ninguém! Discriminar uma pessoa pelo seu serviço, pela sua profissão não é certo. Qualquer profissão por mais humilde que ela seja, é uma profissão: cabeleireiro, manicure, pedicure, lavrador, cobrador, Professor, soldador... Qualquer profissão, seja ela um modo de vida, digno e honesto, vale a pena! É o modo que a pessoa escolheu para viver a vida!
E os trabalhadores rurais e os professores - são duas das profissões mais desvalorizadas no mundo atualmente. Ninguém quer ser do campo, ninguém ser professor...
O primeiro é o responsável por tudo que se produz para viver: verduras, legumes, cana de açúcar, milho, soja, trigo... Então ela era para ser uma profissão muito valorizada, receber incentivos do governo para melhorar a produção, etc. E o que vemos? Famílias e mais famílias que se iludem com a cidade grande, com o sonho de que vão conseguir algo melhor do que no campo, de que os filhos vão virar "doutores", etc. Uma bela ilusão, como verão mais tarde.
E o que dizer dos Professores? Essa classe tão desvalorizada, tão abandonada pelos governadores, pelos prefeitos e o que não dizer presidente?
Se houvesse uma real valorização do professor, salários condizentes com nossos saberes (sou professora de Português), talvez a educação no Brasil avançasse com passos mais largos e não a passos de tartaruga como estamos vendo aí...
A qualquer momento, não haverá mais professores para as nossas crianças, porque são muitos os que abandonam a profissão por causa dos baixos salários...
Vamos valorizar minha gente... Sem estudo e sem comida, um país, uma cidade não vai a lugar algum!

E depois... Muitos outros profissionais se acham no direito de discriminar um "pobre trabalhador rural"!


3 comentários:

Sissym disse...

Mylla, isso comprova que a discriminação é muito maior do que podemos imaginar, porque ela alcança pontos não percebido antes.

Tem gente que tambem não se valoriza, como domesticas, garis, etc... e sem eles, como seria? Cansei de chamar atenção de domesticas, levando-as a valorizarem a profissão. É profissão.

Beijos

Georgia disse...

Mylla, é por isso que eu gosto de vc mulher. Tu nao mede a hora, fala mesmo.

Tá certissima.

Apoiada.

Bjo amiga

* Edméia * disse...

*Mylla, concordo contigo em gênero,

número e grau !!! Ah, você se

esqueceu de mais uma profissão que

começa a declinar para o

obscurantismo : a medicina

tradicional !!! (*Foi-se o tempo

em que o médico tinha dinheiro,

status e poder !!! Hoje ... se ele

"der uma de doido" ... apanha do

doente !!! *É isso !!! ).

*Garota, tenhas uma ótima semana

ao lado dos teus !!!

*Ah, está chovendo muito aí na

sua cidade ?!

*Fiques com Deus.

*Um abraço.

P.S. - *Aqui no estado de SP, nossa

atribuição de aulas iniciará no dia

23 deste mês no Estado ! E aí ?!

(*Sou professora também e de

Português também !!! *Risos).

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